Frágil,
sinteticamente, é o que está dentro da caixa hermeticamente fechada. Mas, a
síntese detém de forma comprimida muito mais do que superficialmente revela “frágil”.
Poderiam
ser os vincos, que dão robustez ao papelão ao ser dobrado, a mimética da
fragilidade?
Caixa de
papelão, por definição, é o encontro de si mesmo em si mesmo. Mas por quê?
Dá-se que as abas têm um comportamento que busca compor o mesmo que o fundo e
os lados da caixa de papelão – o que é melhor aferido em caixa cúbica. Para se
evitar uma eterna repetição, as partes terminam se completando na contramão:
fitas largas repetindo “frágil” dão conta de juntar o que poderia ser um mero
papelão – que, se não configurado em caixa, numa gafe perdida estendida no chão
ficaria, servindo de entreposto calçada-corpo, relativizando a umidade e o frio
encolhido e pobre frio.
Assim como
os origamis, quase que fractalmente assumem formas transgressoras dos padrões
de dobras de caixas, a síntese consegue, geometricamente, dar sentido às coisas
concretas e abstratas, tornando o papelão bem mais coerente.
É, pois,
nesta hora, que surge a grande inquietação: existe a antítese da caixa de
papelão?
Se pelo
avesso tudo é ao contrário, talvez os vincos dialéticos pudessem fortalecer a
caixa. E o conteúdo frágil teoricamente também se alicerçaria no forte tom
oxítono do “papelão”.
Quanto ao
frio, em síntese, do avesso ou não, continua depender da antítese da caixa de
papelão: que se abre e acolhe o frágil cidadão.
Por Pedro Lísias
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