quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A Síntese e a Caixa de Papelão



Frágil, sinteticamente, é o que está dentro da caixa hermeticamente fechada. Mas, a síntese detém de forma comprimida muito mais do que superficialmente revela “frágil”.
Poderiam ser os vincos, que dão robustez ao papelão ao ser dobrado, a mimética da fragilidade?
Caixa de papelão, por definição, é o encontro de si mesmo em si mesmo. Mas por quê? Dá-se que as abas têm um comportamento que busca compor o mesmo que o fundo e os lados da caixa de papelão – o que é melhor aferido em caixa cúbica. Para se evitar uma eterna repetição, as partes terminam se completando na contramão: fitas largas repetindo “frágil” dão conta de juntar o que poderia ser um mero papelão – que, se não configurado em caixa, numa gafe perdida estendida no chão ficaria, servindo de entreposto calçada-corpo, relativizando a umidade e o frio encolhido e pobre frio.
Assim como os origamis, quase que fractalmente assumem formas transgressoras dos padrões de dobras de caixas, a síntese consegue, geometricamente, dar sentido às coisas concretas e abstratas, tornando o papelão bem mais coerente.
É, pois, nesta hora, que surge a grande inquietação: existe a antítese da caixa de papelão?
Se pelo avesso tudo é ao contrário, talvez os vincos dialéticos pudessem fortalecer a caixa. E o conteúdo frágil teoricamente também se alicerçaria no forte tom oxítono do “papelão”.
Quanto ao frio, em síntese, do avesso ou não, continua depender da antítese da caixa de papelão: que se abre e acolhe o frágil cidadão.


Por Pedro Lísias

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