quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

-vida em pedaços-

não existe
história contínua
às vezes triste
depois continua

aos cantos é
expansão tamanha
em contos são
consciência estranha

validade escassa
esparsa vitalidade
vaidade esvoaça
extensa virilidade

voz dispensam ir
superfícies, planos
tato orientam vir
mini nadas, enganos

se crescer é estar
descrever foi ser
aparecer é sumir
escrever foi sentir

borboletas belam a sala
os jardins assumem flores
o silêncio não se cala
os céus e seus amores

o que não vê
que não foi visto
carinho quer crer
ternura ser isto

escapa almas
palmas das mãos
são apenas aulas
conjunto de nãos

lembrando o futuro
que se quer então
significado de sentido passado
novas estâncias são

os novos ensaios
pregando peças
novos os devaneios
pequenos pedaços

à crônica vida selecionada
um exemplo inscritor
medida de tempo seccionada
tudo largo às margens cheias

juntar as peças num depois
formar imagens futuras
um passado untado de cinza
flutuam alheios ao fio da vida

nos arredores do hoje
o que foi e o que será
se querem entrelaçar
se juntam em cinza e mar

névoa neon atóis
plurais aveludados invertem
levitam pesados ares corais
que empolgados do chão vertem

inexperiente permuta
conduta displicente
caduca incoerente
recruta desistente

pedaços mnemônicos
às vezes econômicos
sintéticos palindrômicos
gôndolas de mundos cômicos


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