quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

-autopropagação-

as pessoas se expandem
entaladas de seus mesmos
tomam a certeza gelada
tal como espuma empolgada

centripetando modinha
interpretando por fora
externalizando a carinha
transcendendo nagora

de pequeno a esmo
grande pedaço de não
migalhando solidão
imenso desvelo

tem marca e arca
segurando a vastidão
tem marco e arco
pulsando o coração

sufoco retesado
fôlego suspirado
desespero lançado
silêncio cortado

se solta na névoa esparsa
mais que um raio de sol
recobre atingindo transparência
se ondulando como imenso lençol

transborda holístico encanto
retardado artifício de refrão
ampliando qual solstício de verão
invernando o passado no canto

asas são pouco para voar
ainda bem mais o chão
que requer mais horizonte
mirando navegantes véus no ar

oceanos se encontram mar
nas costas ondas carregar
e se espalham lúcidas
numa raia de claros grãos marrons

descansam sílicas em silêncio
ininterrupto trabalho de amontoar
quietas pequeninas pedras unguento
quase flutuam nas águas namorar

refletem na praia do estrelado céu
num retrato manso imenso amistoso
pontilhando o negro-azul cordel
sensação de sair do globo glorioso

como tijolinho de construir montanha
os astros se encostam de bem longe
como um olhar esticado de luz
para alargar essa casa estranha

e ao mundo conduz
de um lado claro
outro que reluz
simples penumbra

e nesse fio acabo: autopropagação

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