quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Não nos dando dano



A caminhada de paz revolta às lutas por Ser Livre desde a busca por dignidade e reconhecimento no Egito, Etiópia, Babilônia, Índia, Andes, Áfricas do sul à secura, Haiti, Vietnã, Sertão, Canaã e todas as ruas brasil que estão latentes por Justiça e Paz!
“Meus concidadãos e minhas concidadãs!” – diria Odorico Paraguaçu, figura cômica criada por Dias Gomes e interpretada por Paulo Gracindo – “emboramente surpreendido com essa manifestação espontânea, e como disse Victor Hugo, figura basilar da literatura francesa, ‘o progresso só é obtido à custa da ousadia’. [...] Essa ingratitude desse povo! [...] Quando a gente fala em dialogar, eles pensam que podem dar opinião. Dialogar sim, mas sobre aquilo que a gente já decidiu.” Os votados agora se engasgam, ou regurgitam as gorjetas recebidas por nós garçons da democracia em tons de cinza – segurança com garantia sadomasoquista.
Os vulneráveis são tanto os que sofrem pelos bolsões de ilusão, pelo submundo que embolsa miséria, quanto os que se arriscam em reciprocidade para realocar o amor, fonte de graça, para que comunhão se realize nas mesas nas quais hoje se decide números da vida em centavos.
Juntos na rua, mar de gente, ser humano! As manifestações ser humanas alcançam bem o ecumênico ensejo de formar uma comunidade de discípulos destinada a dar testemunho de Deus na história, seguindo no caminho de Jesus Cristo, identificando-se como uma comunidade fiel à missão.
Uma comunidade com diferenças reconciliadas! Segundo Sherron Key George, “Deus deseja, busca, forma e se satisfaz com uma comunidade de culto com diferenças reconciliadas.” De igual modo se alcança tal objetivo nas redes de gente que estão indo às ruas abaixando bandeiras de partidos e erguendo hastes que flamulam igualdade com diferenças reconciliadas. É muito mais que igualdade como costumamos querer. Há um sentimento de bom encontro, com as diferenças sendo fundamentais na participação. Mutualidade nos passos da caminhada. Todos na direção certa! Isto é, há os não-reconciliados que causam dano. Uns poucos que não gritam “sem violência”, pois estão empregados pela agressão e ódio. Querem depredar os patrimônios públicos e os patrimônios em rede reconciliados, formados por jovens e a eles unidos famílias completas e esperanças repletas.
A necessária mudança de atitude e consciência se dá em favor da igualdade cristã. “Nós não transformamos ninguém. Somente Deus, que está misteriosamente trabalhando por meio do Espírito, transforma” nos diz George. A mídia vai e volta imitando Odorico Paraguaçu: “Dialogar sim, mas sobre aquilo que a gente já decidiu”. Também o farisaísmo político espera que o tempo passe e assim tudo volte inflacionadamente ao seu “normal”.
Deus não nos deixa esquecer do que aconteceu no Egito nem em Babilônia. Os profetas não se calam, e ainda as pedras estão prontas a clamar – ainda que os reis declamem lindos salmos. Canudos faz parte de nossa história, ainda que tudo pareça farrapos, mas o povo é lembrado por Deus, pois deste não se esquece jamais. Enfrentar a situação dita dura é superar a sensação de dignidade e tê-la como digna realidade.
Caminhada da reciprocidade de bem-querer, é para ela que nos chama o Espírito guia da igreja. Protestantes não se indiferenciam, mas ecumenicamente se solidarizam em voz profética que reconhece como sagrado o direito à vida plena que requer educação de qualidade, saúde e direito à proteção das riquezas verdadeiras, pois o acordo entesourado no caminho de Jesus nos une as bandeiras de Justiça e Paz no reino de Deus.
“Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês” (Mt 6. 21).
 #VemPraRua dar testemunho de Cristo, ser solidário, ser-junto, para o bem comum! Deus age na história e convida você para agir com ele com cidadania, discernimento e amor para que haja justiça social. Ele invariavelmente age no mundo! E onde nós estamos?

Por Pedro Lísias

Nenhum comentário:

Postar um comentário