à espera do dia do retorno
saudando um espaço maravilhoso
habituando-se com o sofá
treinando para não voltar
casa estranha casa
saudade daquele lar
único tipo de lugar
doce igual, para morar
porta que abre diferente
porta que fecha igual abre
bem-vindo, tapete, até brevemente
ih! a mesma chave é a que cabe
ou de mudança, chegando lá agora
mesa de chá e esperança que dobra
outro cansa, troca sem demora
não fica ninguém do lado de fora
parede, quadro pendurando
campainha, dedo segurando
deve ser a vizinha, coitada
da casa que achava ser a minha
de dentro se vê fora
janela ao vento, argolas
cortinas sentem falta da calma
véu perdido, fingindo ser alma
casa mau assombrada
cadê aquela árvore afrontada
das jacas surtadas
dos sustos que davas?
casa iluminada
de dia o sol, as velas
o açoite da lua, frestas
luzes que dançam a noite
casa de ópera que troveja
que prova o lampejo das notas
pássaros dos galhos em cordas
das teclas em pauta que enseja
música casa saudade
e saudade causa música
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