Caro
Pentecostes,
Esperamos
que venha logo!
Desde
o tempo de Felipe estamos esperando que nos seja mostrado o Pai, é só o que
queremos. Isso nos basta!
Temos
evitado tomar decisões acerca da Missão de Deus e do chamado de Jesus.
Escolhemos assim, pois cremos que o Espírito é tudo o que nos restou.
Pentecostes,
assim que descer novamente – e tu já descestes mais de duas mil vezes, não é!?
– incendeia a igreja, pois achamos que o Espirito está enfraquecido. Temos louvado
fortemente, mas os exércitos do maligno estão bem mais poderosos. Até que temos
bastante fé, modéstia à parte, mas precisamos de mais armas para enfrentar o
inimigo.
Que
tal descer com uma campanha nova? Podemos erguer estandartes e arrecadar
dinheiro para financiar a nova incursão! Quem poderá ir à frente?
Com
os nossos olhos, não enxergamos o inimigo, mas sabemos que está lá.
Venha
com anjos armados até os dentes (se tiverem dentes), pois nós não temos armas
para lutar esta luta espiritual.
Um
parênteses (ficamos até meio sem graça
em perguntar): cadê aquele que disse umas coisas para Filipe, o tal Jesus? Já
que ele mesmo disse a Filipe que deixaria um Defensor para sempre com a gente,
até estávamos ficando despreocupados. Mas vemos que muitas pessoas estão sendo engolidas
pela incerteza das escolhas não tomadas. Por isso tomamos a liberdade de enviar
este e-mail com cópia para Jesus. Vai que ele pode ajudar na batalha? Vai
que...
Bem,
retomando nossas estratégias... precisamos de lançar artilharia pesada sobre o
mundo, de forma que os problemas e as dificuldades não cheguem nem perto da
gente. Mantê-los afastados nos dará fôlego.
Quando
estiver descendo, aproveita e esmaga tudo pela frente, pois assim o Espírito
terá menos trabalho e terá mais forças para a guerra. Não queremos iniciar
nossa ofensiva com o Espírito cansado, coitado.
Podemos
organizar nossas divisões de forma bem justa: após você descer, Pentecostes, já
libera o Espírito para armar as trincheiras na ofensiva, é função dele! E
quanto a nós, que temos bastante fé, fica claro que estaremos na defensiva,
cantando e gritando alto para que o incômodo sussurro das dores lá de fora não
nos desconcentre e nem enfraqueça a nossa defesa.
Ficar
na defensiva não é tarefa fácil. Temos que evitar muitas obras pesadas, como ouvir
as angústias das pessoas. Ainda há os famintos e doentes, crianças em situação
de risco, mães adolescentes, idosos esquecidos sozinhos, falta d’água,
corrupção e corrompidos, amaldiçoados! E tudo isso custa tempo e esforço.
Afinal de contas, o principal é adorar individualmente, como que numa disputa de
quem é mais santo, sabe? Isso para que o clamor mais puro do melhor adorador
alcance Deus.
Pentecostes,
não sabemos se você sabe (podemos chamá-lo assim? Você já é “pop” mesmo!), mas
parece que Deus, a exemplo de Jesus, não se envolve com essas batalhas, por que
será?
Logo
numa batalha espiritual, no plano de cima, quando era para Deus estar irado e
queimando cidades, alguns ficam dizendo por aí que Ele está numa tal de Missio Dei. Se “missio” for tipo uma ogiva nuclear, um míssil de fogo para
destruição em massa, aí podemos até chamá-lo para fazer parte da nossa
artilharia, mas Ele terá que seguir as nossas regras, que fique claro!
Não
entendemos o que nos motivaria deixar uma batalha espiritual intensa – que não
nos tira sangue nem suor, na qual somos livres adoradores, descomprometidos
liturgicamente se quisermos, cheios de unções, poliglotas através de um supletivo
no curso rápido de invasão do espírito que se alia a nosso ego, podemos ser
egoístas sem medo, e ao mesmo tempo, em êxtase, amorosos com igual falsidade tal
como nos achamos entendedores dos segredos de Deus –, ao invés, aceitar o
chamado de Deus para ter compaixão ao largarmos nossa impiedade, assumindo
“uma atitude emocional,
afetiva e missionária que flui do interior e orienta nossa resposta às
necessidades de outras pessoas”; deixarmos o egoísmo, nossa atitude em ralação
a nós mesmos, tendo um pouco mais de humildade; buscar a comunhão entre os
cristãos e lutar pela humanização dos diversos povos de forma não-preconceituosa,
mas com discernimento e comprometimento; proclamar a Justiça e a Paz; anunciar
a graça de Deus, revelada em Jesus, sinal do Reino que restabelece o
verdadeiro amor para tudo e entre todos e todas, com igual carinho com as
criancinhas até àqueles que primeiro cuidaram dos nossos pais.
Que
guerra glorifica o nome do Senhor? Que batalha pode honrar o nosso Deus que nos
aceitou muito antes de buscarmos estar na presença Dele?
Jesus
enfrentou os homens, numa batalha quase inglória senão para cumprir a vontade
do Pai, sem pegar em armas, sem conclamar o povo e seguidores a erguer espadas,
muito menos sugeriu, jamais o fez, se distanciar dos pequeninos deste mundo, os
perseguidos, os que sofrem injustiça sem interrupção. E agora esperar que Jesus
abrace uma batalha espiritual que não dá a mínima para as loucuras e
arbitrariedades do poder, da fama, da indiferença e da mesquinhez?
A
não ser que sejamos convencidos a largar a guerra em busca da paz, partiremos para
o próximo projeto: construir nosso posto avançado, reerguendo o Tabernáculo, costurar
o véu rasgado, aceitando que sacerdotes sejam intermediários entre nós e Deus e,
rejeitar e excluir as mulheres e as crianças. Então, nosso grande tesouro será
uma arca contendo a misteriosa antiga aliança, e jamais viremos saber a verdade
que diz que “onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.”
Cordialmente,
em continência,
Onde
será que está nosso coração?
Nenhum comentário:
Postar um comentário