A gente nasce já pegando o bonde
andando.
Quando a gente não percebe que tudo
mudou, nada mudou.
Ainda sabemos sorrir e,
disfarçadamente, mentir para parecer sorrindo. E nossa convincente demora em
melhorar o que podemos melhorar se enriquece de ilusões. Será que é isso mesmo?
Cada geração parece obstruir a que
veio antes – ao invés de dar continuidade, recontar histórias e alumiar
vanguardas –, se tornando vans gerações.
Se tivéssemos apenas que nos
preocupar como o sol, tendo que nascer sem saber o que vai iluminar, estaríamos
ainda mais convictos que vivemos um dia de cada vez em guerra. Nenhuma guerra
de cada vez. Todas acontecem ao mesmo tempo.
Falta-nos encontrar
a sinceridade da Paz e os ventos que erram a direção. Dar as vezes a Paz, ao
invés de a Paz às vezes. “O Espírito sobra onde quer...” e não nos demos conta
ainda que Deus está conosco onde quer que estejamos. Será que é isso mesmo?
Falta-nos um sonhar de ver as
bandeiras saboreando o vento...
As vontades se açucaram procurando
determinar o que de fato a gente poderá salivar. Se mantêm as fumaças nas ruas
que não esvoaçam quão rápido se assentaram as poeiras dos inertes presídios a que
deixamos se transformar nossas vidas, famílias, igreja, educação, saúde,
prazer, lazer e sonhos. Será que é isso mesmo?
A Paz procura ser sincera, não tão
somente aparentar convincente. Quando a esperança soluça, na verdade é a Paz
que se bandera para ser vista de qualquer jeito de qualquer lugar por qualquer
um que a deseja, ou que um dia desejou. Quando a esperança soluça, ou enche de
lágrimas os olhos, é sinal de grande contrição. Mas não perde a esperança o que
ela é.
Falta conversa! Será que é isso
mesmo?
conversa
comigo
me peça sem pressa
conversa
do
tempo que passa, regressa
conversa
contigo,
gosto de graça
conversa
boa
à beça, nossa
conversa
devagar
alegre atravessa
conversa
saudade,
brincadeira: confessa
conversa
encontro,
olhares, abraça
conversa
sorriso,
mais que amigo, disfarça
conversa
um
risco, querida professa
conversa
contínua?
com ou sem promessa
conversa
sempre,
tipo essa
conversa
palavra
que não cessa
conversa
nem
sei como começa
conversa
não
acabe inversa
conversa
E Deus que quis alguém que com Ele
conversasse, criou a humanidade, comunicativa em sua igualdade e solidariedade
que se expressa em conversa, dedos prosa, chat, bate-papo, bilhetinhos, cartas
e até sinal de fumaça. E viu Deus que era muito bom o que criou: a conversa,
grande oponente da solidão, parceira das grandes trocas e partilhas de tudo que
se pode imaginar
e não imaginar.
Mesmo que seja trêmula, típica dos tímidos, vai tendo
coragem para que seja isso mesmo: lhe falta conversar com Deus! Dizer a Ele
quem você conheceu, ou quer conhecer. Falar pra Deus que sentiu um sussurro no
ouvido, tipo uma brisa dos ventos que erram a direção e lhe enchem o coração.
Experimenta Deus na conversa sem pressa, tranquila, ou
agitada que seja, tipo “ti-ti-ti” (com Ele você pode fofocar... ou não). Fale
sem falar, com a voz sincera do seu silêncio – o seu muito bem humorado
silêncio que, ao contrário da sua timidez, é como a sinceridade da Paz que na
mesma largura do silêncio da vontade de falar, sorri alegremente por não ter
medo de tentar conversar.
Converse com Aquele que guarda no seu coração todos os
dias a mesma Lei. O amor, que contorna com carinho e respeito os links
delicados que nos conectam numa conversa (essa troca de ideias que tropeça
sempre em nossas noções egoístas), e nos torna sensíveis a Deus e a humanidade.
Boa conversa!
Por Pedro Lísias
Nenhum comentário:
Postar um comentário