A inoperância
diante daquilo que frustra ou faz cair nos torna intolerantes.
Quanto mais
socialmente independentes nos tornamos, até por ter como nossa aliada a
tecnologia e nossa aparente infinita habilidade com ela, menos estamos prontos
para superar e nos reerguer para caminhar em direção à simplicidade da alegria
e da parceria com o que é bom.
Já fabricamos
milagres: a gente pode transformar uma pessoa que não enxerga em alguém que
consegue enxergar; fazemos pessoas que não podem andar novamente andar por meio
de próteses. Ou seja, podemos vender milagres, criar ainda maiores expectativas
que se parecem muito com a esperança de um mundo mais digno e justo.
Mas estamos
destreinados para lidar com os tropeços, com as coisas imprevistas. As
frustrações parecem tão impossíveis, tão insuportáveis que nos tornamos
absurdamente desequilibrados.
É como num piscar
de olhos nos armar. Viramos frágeis poderosos empunhando egos inflados, vazios
ao invés. Egos capazes de atirar em qualquer direção um chumbo de frustrações,
alvos que incluem a nós mesmos.
Se somos passíveis
de desequilíbrio, desatino, o perigo depende daquilo que está em nossas mãos.
Quanto mais poderosa a arma, mas infiéis nos tornamos. Quando a nossa
ferramenta mais se parece com um instrumento de tortura, as bandeiras da
Justiça e da Paz que revelam o Reino de Deus ficam hasteadas.
É importante ir
adiante sem se armar.
É ainda mais
importante se amar para ir adiante e transformar as atitudes de intolerância em
atos e palavras que possibilitam reconciliação.
O convite de Deus,
em Cristo, o maior dos reconciliadores, é que possamos amar nobremente e com
coragem.
Sem medo de
frustrações e superando toda e qualquer vontade de se armar, amando e ouvindo
os desígnios de Deus para nossas vidas, estreitamos nossa relação com nosso
triuno Deus!
Somente temos amor
se doamos amor. Melhor termos coragem de assumir nossas imperfeições para que a
linha mestra seja uma caminho estreito o suficiente para andarmos juntos,
lado-a-lado, completando cada passo. De forma que menos intolerantes, e
aceitando que há sim frustrações, pois elas são possíveis e suportáveis, o
caminho vai virando uma estrada larga, nem sempre plana, nem sempre com curvas
sutis, mas muito bem sinalizada pela estrela do oriente e pelo sol que brilha
para sempre em nossas vidas – na vida de cada um, cada uma, filhos e filhas
queridos de Deus!
por Pedro
Lísias
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