quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

PALAVRAS CUNHADAS, LETRA PARENTE



Palavra melhor, a vida.
Letra não é solidão. São para sempre!

Letras e palavras são familiares. Aos milhares, uma grande sociedade, incluindo até mesmo a dos poetas mortos. Filmes e livros dos nichos e estantes da lembrança. No presente, são fatos, como o casamento das letras que juntam, por contrato, palavras até de sotaques diferentes. As que ficam solteiras, mais ou menos excêntricas, são o desejo dos palavrões que pretendem ser palavras bem humoradas.
Letras recém-nascidas só se dão conta em que palavras estão quando um pouco mais crescidas. Às vezes acrescidas de acentos. Umas ganham tios, outras um sinuoso rabinho para serem as exclusivas cedilhas. Se de origem saxônica, podem ter trema, e tremores quando nervosas ou com frio. A propósito: letras com tio chapéu não têm.
No meio de tantas confusões entre as letras parentes, descobrimos que, apesar das disputas entre as letrinhas pelo colo do tio, ele não é acento! E isso virou um grande problema, pois bênção tem chapéu, cedilha e tio! O tio, que tem um nariz grande, indicativo de nasalação, acabaria por deixar algumas letras órfãs.
Mas, a palavra dá vida às letras, e vida para sempre! Palavras são famílias de diversas formas que acolhem as letras, com acento ou não. Tanto o é, que não se impede, se com cedilha ou não, se fazer parte da bênção.
Toda essa parentetização, que em outras palavras coloca as letras em evidência, torna as palavras cunhadas, termos irmãos e frases em comunidade das sinonímias.
Família é um estribilhar da vida, enquanto as letras o estribilho nas palavras.

Por Pedro Lísias

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