Palavra
melhor, a vida.
Letra
não é solidão. São para sempre!
Letras e
palavras são familiares. Aos milhares, uma grande sociedade, incluindo até
mesmo a dos poetas mortos. Filmes e livros dos nichos e estantes da lembrança.
No presente, são fatos, como o casamento das letras que juntam, por contrato,
palavras até de sotaques diferentes. As que ficam solteiras, mais ou menos
excêntricas, são o desejo dos palavrões que pretendem ser palavras bem
humoradas.
Letras
recém-nascidas só se dão conta em que palavras estão quando um pouco mais
crescidas. Às vezes acrescidas de acentos. Umas ganham tios, outras um sinuoso
rabinho para serem as exclusivas cedilhas. Se de origem saxônica, podem ter
trema, e tremores quando nervosas ou com frio. A propósito: letras com tio
chapéu não têm.
No meio de
tantas confusões entre as letras parentes, descobrimos que, apesar das disputas
entre as letrinhas pelo colo do tio, ele não é acento! E isso virou um grande
problema, pois bênção tem chapéu, cedilha e tio! O tio, que tem um nariz
grande, indicativo de nasalação, acabaria por deixar algumas letras órfãs.
Mas, a
palavra dá vida às letras, e vida para sempre! Palavras são famílias de
diversas formas que acolhem as letras, com acento ou não. Tanto o é, que não se
impede, se com cedilha ou não, se fazer parte da bênção.
Toda essa
parentetização, que em outras palavras coloca as letras em evidência, torna as
palavras cunhadas, termos irmãos e frases em comunidade das sinonímias.
Família é
um estribilhar da vida, enquanto as letras o estribilho nas palavras.
Por Pedro Lísias
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