quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Entreviste-se sobre os desafios da permanente agitação: inverta a lógica



Vivemos uma rotina agitada.
Para os donos dos dias e para o Reino de Deus, somos convocados a produzir.
O que faz você produzir com prazer, continuidade e sabedoria?
A motivação para a criatividade é um alimento para as profundezas do ser, bem como sustenta o sorriso para a vida. A alegria de um dia inteiro pode ser fruto de recordações bem conduzidas. Recordar, ou ir novamente ao coração, significa relembrar acordos que têm significados importantes para a vida despertar.
Muito mais que passar novamente pelo coração – ir à memoria –, é preciso navegar com calma na lagoa das recordações. Elas guardam depoimentos acerca de você, porém estão sem direção. Fluem errantes entre a imaginação e a superfície. Margeiam a praia, vão e voltam fazendo ondas pequenas. Ainda assim, são capazes de fazer o barco balançar.
Saber conduzir o depoimento de memórias para si mesmo ajuda a diminuir o estresse e melhora sua capacidade de recordação, minimizando a sugestionabilidade – que é o quanto você está exposto à influência de uma ideia, podendo agir e pensar de acordo com a ideia recebida e suas implicações –, que desloca você de si mesmo.
Jesus sempre soube conduzir suas ações, pensamentos e palavras, mesmo diante de ideias que para muitos de nós invadem nossa condução da vida, nos direcionando à crença em falsas memórias. As falsas memórias depõem contra a verdade.
Os escribas e fariseus – se comparados à nossa sugestionabilidade, por defenderem ideias que inviabilizam a criatividade sadia para uma vida plena e em comunhão com Deus e com toda a sociedade –, sempre lançam ideias influentes para criar contradições. Em vários episódios Jesus esteve diante dessas ideias geradoras de falsas memórias.
As falsas memórias impedem a realização da verdade. Assim, Jesus sempre procurou vencer os desafios da permanente agitação entrevistando-se: sempre procurou a vontade do Pai, o Senhor, de forma que pudesse realizar a verdade com prazer, continuidade e sabedoria. É a verdade que liberta e abre novas rotas.
A ida ao deserto durante quarenta dias e quarenta noites foi uma oportunidade de entrevistar-se. As idas aos lugares discretos e reservados, como os montes, para orar e meditar, são também momentos de entrevistar-se. Estes momentos foram decisivos para a caminhada missionária de Jesus diante dos desafios da permanente agitação, colocando-a a seu favor. Então, o grande desafio para a permanente agitação é a pausa.
O Rabino Nilton Bonder, em seu artigo A hora de parar, sugere que “a pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada.” Mas, para que serve mesmo a pausa? Pausa serve para lembrar da aliança de Deus com seu povo. A história da caminhada de fé desse povo. As suas recordações, os profetas sempre as trazem para que as falsas memórias não prevaleçam. Pausa para recordar o mandamento do amor. Pausa não significa parar de trabalhar. Deus trabalha até agora, Cristo também. Nós também o devemos fazer, pois a realidade é viva, bem como parecem ser as nossas falsas memórias.
Dentre os desafios da permanente agitação, inverter a percepção do agito é o grande diferencial. Hoje o mundo agita sua vida e te coloca na linha de estresse em série, que sempre adiciona fórmulas novas que convencem você a consumir inquieto o agito do sistema da rotina de imposições. Sua criatividade é indesejada, e quando você a deseja é convidado ou convencido a fracassar suas próprias concepções.
Inverta a lógica! O Reino de Deus lhe convida para perceber o agito que há dentro de você: a comunhão com o Espírito Santo, o chamado de Cristo, e o Amor acessível do Criador que lhe alcança por meio da Graça irresistível.
A permanente agitação, segundo os propósitos de Deus, faz você produzir com prazer, continuidade e sabedoria. Não mais produza para o emaranhado de desprazeres e falsas memórias. Produza novas atitudes. Atitudes que deem testemunho daquele que é a própria aliança de Deus com seu povo. Jesus morreu, mas dá continuidade à vida, pois, ressurreto Ele vive para a glória de Deus. A nova aliança com Deus movimenta a igreja, pois você é desafiado à permanente agitação. Ao entrevistar-se e dar-se conta de que você é morada de Deus, vai saber que este lar está pronto, mas ainda não. Significa que é sempre bom pausar, repousar e tecer novas entrevistas, de forma a conduzir seus próprios depoimentos, aceitando os desafios da realidade e surpreendendo-se com sua própria criatividade: fruto da permanente agitação que está em ti.

“Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada. Mas, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos.” Tg 1.2-5

Sabedoria, continuidade e prazer!


Autor: Pedro Lísias

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