Vivemos
uma rotina agitada.
Para
os donos dos dias e para o Reino de Deus, somos convocados a produzir.
O
que faz você produzir com prazer, continuidade e sabedoria?
A
motivação para a criatividade é um alimento para as profundezas do ser, bem
como sustenta o sorriso para a vida. A alegria de um dia inteiro pode ser fruto
de recordações bem conduzidas. Recordar, ou ir novamente ao coração, significa
relembrar acordos que têm significados importantes para a vida despertar.
Muito
mais que passar novamente pelo coração – ir à memoria –, é preciso navegar com
calma na lagoa das recordações. Elas guardam depoimentos acerca de você, porém
estão sem direção. Fluem errantes entre a imaginação e a superfície. Margeiam a
praia, vão e voltam fazendo ondas pequenas. Ainda assim, são capazes de fazer o
barco balançar.
Saber
conduzir o depoimento de memórias para si mesmo ajuda a diminuir o estresse e
melhora sua capacidade de recordação, minimizando a sugestionabilidade – que é
o quanto você está exposto à influência de uma ideia, podendo agir e pensar de
acordo com a ideia recebida e suas implicações –, que desloca você de si mesmo.
Jesus
sempre soube conduzir suas ações, pensamentos e palavras, mesmo diante de
ideias que para muitos de nós invadem nossa condução da vida, nos direcionando
à crença em falsas memórias. As falsas memórias depõem contra a verdade.
Os
escribas e fariseus – se comparados à nossa sugestionabilidade, por defenderem
ideias que inviabilizam a criatividade sadia para uma vida plena e em comunhão
com Deus e com toda a sociedade –, sempre lançam ideias influentes para criar
contradições. Em vários episódios Jesus esteve diante dessas ideias geradoras
de falsas memórias.
As
falsas memórias impedem a realização da verdade. Assim, Jesus sempre procurou
vencer os desafios da permanente agitação entrevistando-se: sempre procurou a
vontade do Pai, o Senhor, de forma que pudesse realizar a verdade com prazer,
continuidade e sabedoria. É a verdade que liberta e abre novas rotas.
A
ida ao deserto durante quarenta dias e quarenta noites foi uma oportunidade de
entrevistar-se. As idas aos lugares discretos e reservados, como os montes,
para orar e meditar, são também momentos de entrevistar-se. Estes momentos
foram decisivos para a caminhada missionária de Jesus diante dos desafios da
permanente agitação, colocando-a a seu favor. Então, o grande desafio para a
permanente agitação é a pausa.
O
Rabino Nilton Bonder, em seu artigo A
hora de parar, sugere que “a pausa é que traz a surpresa e não o que vem
depois. A pausa é que dá sentido à caminhada.” Mas, para que serve mesmo a
pausa? Pausa serve para lembrar da aliança de Deus com seu povo. A história da
caminhada de fé desse povo. As suas recordações, os profetas sempre as trazem
para que as falsas memórias não prevaleçam. Pausa para recordar o mandamento do
amor. Pausa não significa parar de trabalhar. Deus trabalha até agora, Cristo
também. Nós também o devemos fazer, pois a realidade é viva, bem como parecem
ser as nossas falsas memórias.
Dentre
os desafios da permanente agitação, inverter a percepção do agito é o grande
diferencial. Hoje o mundo agita sua vida e te coloca na linha de estresse em
série, que sempre adiciona fórmulas novas que convencem você a consumir
inquieto o agito do sistema da rotina de imposições. Sua criatividade é
indesejada, e quando você a deseja é convidado ou convencido a fracassar suas
próprias concepções.
Inverta
a lógica! O Reino de Deus lhe convida para perceber o agito que há dentro de
você: a comunhão com o Espírito Santo, o chamado de Cristo, e o Amor acessível
do Criador que lhe alcança por meio da Graça irresistível.
A
permanente agitação, segundo os propósitos de Deus, faz você produzir com prazer,
continuidade e sabedoria. Não mais produza para o emaranhado de desprazeres e
falsas memórias. Produza novas atitudes. Atitudes que deem testemunho daquele
que é a própria aliança de Deus com seu povo. Jesus morreu, mas dá continuidade
à vida, pois, ressurreto Ele vive para a glória de Deus. A nova aliança com
Deus movimenta a igreja, pois você é desafiado à permanente agitação. Ao
entrevistar-se e dar-se conta de que você é morada de Deus, vai saber que este lar
está pronto, mas ainda não. Significa que é sempre bom pausar, repousar e tecer
novas entrevistas, de forma a conduzir seus próprios depoimentos, aceitando os
desafios da realidade e surpreendendo-se com sua própria criatividade: fruto da
permanente agitação que está em ti.
“Meus irmãos, sintam-se felizes quando
passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence
essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a
fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada. Mas, se alguém
tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com
bondade a todos.” Tg 1.2-5
Sabedoria,
continuidade e prazer!
Autor: Pedro Lísias
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