Um
erro muito aceito é recorrer a uma entidade que se assemelha ao Espírito Santo
por força das nossas convicções, enquadrada no nosso egoísmo, tanto por duvidar
de Deus, por não crer em Jesus (há tanto tempo conosco), tanto por confundir a
presença do Espírito como ausência de Deus – ausência que escolhemos ter em
nossas vidas: nossas decisões e escolhas estão se embolando em longos fios
infidelidade. Adianta dizer que sente tanta saudade de caminhar com Ele no
jardim?
Que
obra você tem feito tentando pegar carona na ideia de um espírito que vem e vai
como a ressaca do mar, achando que as pedras arrancadas dos calçadões são como
as pedras que se pode retirar do caminho? Confunde a rocha que firme mantém a
casa, que dá segurança contra as forças desproporcionais dos poderosos, com
muros a serem derrubados. Que grandes obras são possíveis se você confunde um
suposto patrimônio de felicidade que aparece e desaparece com essa ideia de consolador
que só está contigo se você realizar algo que faça seus pés saírem do chão –
desejo de flutuar e não lidar com a verdade? – quando é nó chão que Jesus
precisa de você para a missão?
“Filipe,
há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai.
Como
é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o
Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o
Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai
e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras.” (Jo. 14. 9-11)
Jesus
nos relembra:
“Em
verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e
fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em
meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes
algo em meu nome, eu o farei. Se me amais, observareis os meus mandamentos. (Jo.
14 12-15)
Não
peça nada a Jesus, se não for para que seja glorificado o Pai. Mesmo sem pedirmos,
também para a glória do Pai, Jesus pede um outro Defensor, que está
para sempre com todos nós:
E
eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre
convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não
o vê, nem o conhece. (Jo. 14 16-17)
Sempre
escolhendo. Se cremos que Jesus revela o Pai ao passo que está conosco. Se
cremos que o seu amor permanece conosco ao passo que deixa para sempre o
Espírito Santo conosco, é porque Jesus vive em nós, assim como vive o Pai em
Cristo, de forma que habita na igreja e em nossos corações o Espírito da
Verdade.
É
muita pretensão querer ou exigir “mostra-nos o Pai”. Ao lhe vir a vontade de perguntar “quem é o
Pai”, “quem é Deus”, pergunte-se: “quem sou eu”.
Se
hoje os discursos mais bem intencionados se mostram tão vazios que pouca gente
pode acreditar que tenha algo bom numa mensagem a respeito de Jesus, procure
saber quem é você. Procure saber a respeito da sua fidelidade a Deus. E não
deixe de aceitar a permanente presença do Espírito Santo que lhe ajudará a
realizar obras ainda maiores, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.
Fraternalmente,
Nosso lar está pronto, mas ainda
não!
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