quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

-de amanhã-

nebulosidade e sobriedade confundem
firmamento e saudade enevoam o ar

incerto tempo que guarda chuva
o sol e o aumento de nuvens de amanhã
visão antecipada da tarde que ainda muda
se acomodam na manta cinzenta en passant

quase azul do fundo do dia lá mais escura

se guarda hoje pela espera incerta
nuvens desenhadas ilusão que caminha reta
das formas das nuvens com um pé atrás
não choveu ontem, não chove mais

apenas venta guenta guenta guenta

tempos mais tarde, depois da serenidade
de amanhã, vem sem pressa apressada tempestade
de amanhã, surpreendente tarde enchente
tarde mais tempos, depois acabe

sem hora tormenta de amanhã

apenas molha telhados imbricados
sem ramas, telhas avoam pros lados
cerâmicas, ficam telhados
centenas, quase tendas

pobres barracos desforrados

guenta guenta guenta
enquanto apenas venta
pelos pés descalçam terra
barrancos desgraçam barracos

lama lança destruição de guerra

se fosse pó, ao pó voltarás
mas com lama, pouco se faz
melhor voltar atrás
arrimar seguro serás

serve a lama com pedras murar

um muro que não divide
segura o que o vento traz
não deixa ninguém na mão
mais delas se constrói mais

firmes pedras destruição inibe

compensa sentar no plano pensar
consente bom senso à frente sentir
condiz falar às bases discernir
combina contrato sem calar

na simplicidade de amanhã

preserva reserva conserva
solidário muro que arrumo
encaixam pedras acima
fica bom pra todo mundo

não seja arrimo da berlinda

a lama na pele imunda
a dama curte mais linda
o dano furte mais ainda
o limo na pedra abunda

vestido pendurado no varal de amanhã!

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